Artigos

 

ANTÁRTICA - Embarque nessa aventura !

Por muito tempo, as viagens ao continente antártico eram restritas aos cientistas e a poucos intrépidos aventureiros (ver reportagem completa)

 

- EXPLORAÇÃO Número de brasileiros que deixam os trópicos em busca do verão antártico quadruplicou na última década

 

Uma viagem para o lugar mais frio, ventoso e deser- to da terra, com 99% de co- bertura por gelo, é algo para aventureiros e desbravado- res. Mas o número de brasi- leiros que deixam o calor dos trópicos em busca desse des- tino, na temporada de verão antártico - de novembro ao fim de fevereiro -, quadrupli- cou na última década.

 

JORNAL Cidade de Ribeirao Preto, SP Caderno Boa Viagem publicado 7 de Outubro 2012.

 

Clique aqui para fazer o download do pdf e ver essa reportagem completa.

 

 

- TURISMO NA ANTÁRTIDA

 

Na parte baixa do mapa terrestre está o maior manto de gelo do planeta. São 13,6
milhóes de quilômetros quadrados de neve e água congelada,cobrindo 99,5o/doo continente antártico.Trocar sol e praia por um verão ali parece uma escolha improvável.Mas o número de visitantes na região quadruplicou na última década. Na temporada passada, de outubro de 2008 a março de 2009, 38.200 turistas estiveram no local. Entre eles estão brasileiros de todas as idades, interessados em vislumbrar um lugar que é o extremo oposto do clima tropical vigente na maior parte do País. "No ano passado levamos quase cem brasileiros,
enquanto em 1998 iam no máximo dez", diz Zelfa Silva, diretora da Antarctica Expeditions, uma agência de viagens brasileira especializada no continente.

 

Para ver o artigo completo clique aqui

 

 

- QUEBRANDO LIMITES NA ANTÁRTIDA

 

A incrível viagem de um brasileiro que contornou a Antártida a bordo de um poderoso quebra-gelo russo.

 

Clique aqui para fazer o download do pdf e ver essa reportagem completa.

 

 

- UMA VIAGEM PELA PENÍNSULA ANTÁRTIDA

 

A Península Antártica, é a parte mais acessível do Continente Branco. A Antártida é 99% coberta de gelo. É o lugar mais ventoso, mais deserto e mais frio na terra. 70% da água doce do mundo está lá e também é o único continente onde o ser humano não habitou previamente. É um continente cercado por océanos, que cobre uma área de 14 milhões de km2 no verão, e no inverno chega a duplicar de tamanho. O Polo Sul está na Antártida.
Nossa expedição começa em Ushuaia, Terra do Fogo, Argentina no famoso Canal de Beagle, onde embarcamos no quebragelo russo da Quark Expeditions, e ao final da tarde começamos a navegar.
Ao cruzar a Passagem Do Drake, vários tipos de pássaros marinhos seguiam o navio. A Passagem foi batizada com o nome do famoso navegante inglês do século XVI, Sir Francis Drake.
Depois de 1000Km, chegamos às Ilhas Shetland do Sul, enquanto professores e naturalistas internacionais davam aulas preparando nos para a grande aventura.
Aprendemos sobre os diferentes tipos de pingüins que vivem na Antártida.
Durante o verão (de Novembro ao final de Fevereiro), é a única estação em que se pode visitar a Antártida. Os pingüins estão com suas crias pequenas e os pais se revezam para ir ao mar em busca de comida. Cada tipo de pingüim tem sua forma de se expressar, e alguns gritam bem forte.
Também observamos varios tipos de focas e Elefantes Marinhos que passam descansando nas praias ou nos icebergs. Saímos do quebragelo e andamos em um " Zodíaco ", por entre os icebergs e a visitar as ilhas, onde caminhamos bem perto da vida selvagem, sempre nos lembrando de que não se pode tocar nos animais e devemos respeitar a natureza.
Navegando pelo o Estreito de Gerlache, vimos baleias corcunda bem perto do barco, sendo um espetáculo maravilhoso. Foi esplêndido ver estes animais gigantescos nadando ao nosso lado.
Visitamos a base científica da Argentina, Almirante Brown, que acolhe cientistas dedicados à investigação científica durante os meses de verão. Esta base está localizada na Baía Paraíso, um dos lugares mais maravilhosos na Península Antartida. É um verdadeiro cartão postal!
Paramos na base inglesa A, que há alguns anos atrás se transformou em um museu. É interessante saber que este é o único lugar no continente Antártico onde se pode comprar selos postais e enviar os cartões de lá. A Base A está localizada em Porto Lockroy, onde caminhamos por uma colônia de pingüins e também vimos restos de ossos de baleias que estavam lá, como testemunho de um passado terrível. Porto Lockroy é uma baía cercada de montanhas e geleiras. Depois de desfrutar o dia, nossos cozinheiros austríacos prepararam um fantástico assado no "deck" do navio. Claro que tudo isso, em uma marca de natureza incomparável. Como na Antártida no verão não escurece, as cores do céu refletidas no gelo nos oferecem uma vista impressionante.
A passagem pelo Canal Neumayer e mais ao sul pelo Canal Lemaire, melhor conhecido como o canto “Kodak de Antártida ", são sem dúvida uma vista inesquecível. Os canais estreitos com montanhas altas, geleiras, icebergs flutuando são uma das coisas mais lindas que existem. Poder cruzar entre esses gigantes de gelo e sentir a magia da Antártida é uma experiência maravilhosa.
Tomamos banho na Caleta Péndulo da Ilha Decepção, um vulcão que entrou em erupção nos anos setenta.
Retornando à Ushuaia, estávamos felizes de termos participado de uma expedição fascinante e comovedora. Conhecer o Continente Branco, a última reserva ecológica que está tão perto de nós, é um sonho que pode tornar-se realidade.

 

- FÉRIAS DE VERÃO NA ANTÁRTIDA

 

Cada vez mais aventureiros estão vindo de todas as partes do mundo, durante a temporada de verão, de Novembro até final de Fevereiro, para o Ushuaia, na Argentina.
Lá, eles embarcam a bordo de barcos russos, construídos na Finlândia, da família dos quebragelos com capacidade entre 47 a 122 passageiros no máximo, para passarem a maior aventura de suas vidas no Continente Branco.
Os barcos zarpam do Ushuaia, Terra do Fogo, a cidade mais austral do mundo, atravessando o Canal de Beagle.
A travessia da Passagem do Drake possui 1000 Km, até chegar no começo das Ilhas Shetland, na Península da Antártida, levando 1 dia e meio de navegação. Enquanto isso, os naturalistas e professores a bordo que fazem parte do staff, dão aulas de biologia marinha, glaciologia, sobre os pinguins, aves marinhas, baleias, tudo que se irá encontrar na Antartida, ilustrando com slides.
A Antartida é o 5º maior continente, com uma altura 3 vezes superior ao resto do mundo. A Antártida é 1.4 vezes o tamanho dos USA e 1.3 vezes da Europa.Tem uma área de superfície de 14 milhoes de Km2, que no inverno duplica de tamaho. É o continente dos extremos, o lugar mais frio da terra, mais ventoso e mais seco. Em 1983, na base cientifica Russa Vostock, foi registrada a temperatura mais fria do ano, -89ºC. Também tem os ventos katabaticos mais fortes de 320 Km p/hora.
A Peninsula Antartica, que é a parte mais perto da América do Sul, também é a parte mais quente da Antartida, onde a maioria das viagens turísticas são realizadas. 99% da Antártida é puro gelo, sendo que a média da espessura de gelo é de 2,7 Km, chegando a lugares com até 4 Km de gelo. 70% de toda a água doce esta na Antartida. Se por alguma improvável razão degelasse o gelo Antartico, o nivel dos mares subiria entre 50 a 60 metros, com o consequente desaparecimento de cidades como Nova York, e o país da Holanda.
É o único continente onde o ser humano não habitou. Somente os pinguins vivem lá. A Antartida hoje é o continente para a paz e o uso da ciência. Não é permitido fazer nenhum tipo de exploração e tão pouco se pode usar armamentos nucleares. Também é o continente mais desconhecido e de mais difícil acesso. Operadoras de turismo Antartico fizeram um leasing dos quebragelos Russos depois que o Comunismo caiu, reformando para o uso dos turistas. Hoje se pode chegar a este Continente Branco e experimentar de sua imensidão e a natureza mais pristina do mundo.
Navegavamos pelo Estreito de Gerlache, enquanto o sol brilhava nas montanhas cobertas de neve. Pela manhã descemos na Ilha Danco, onde se encontra um antigo refúgio Inglês. Subimos morro acima com muita neve e encontramos uma pinguinera de Papuas com seus filhotes. Todos os animais da Antartida nascem entre Novembro e começo de Dezembro, e celebrar o final do ano na Antartida, é a melhor época para ver todos os pares de pingüins com seus bebês. Existem ao redor de 300.000 pares destes pingüins. Eles são excelentes nadadores, podendo alcançar uma média de 25 Km.
À tarde, navegamos pelo Porto de Neko, por un canal de 11 Km da Baía Andvord, onde descemos no Continente Antartico. Esta baia foi descoberta pelo explorador Belga, Adrian de Gerlache nos anos de 1897-99, por sua expedição Antártica. O Porto tem o nome de Neko, que era um barco Norueguês, que operava na área entre os anos de 1911-12, e depois entre 1923-24, caçando baleias.
Assim que saíamos desta Baía, fomos previlegiados com a vista de Baleias jubarte e minke, nadando perto do barco. O líder da expedição deu a oportunidade para todos descerem nos zodiacs e tentar se aproximar o mais que se podia desses gigantes do mar. O sol se estava pondo atraz das montanhas altas e cobertas de neve, fazendo assim um reflexo magnífico na água. Havia uma baleia amamentando seu filhote e podíamos ver as borbulhas da água. O mais lindo foi quando eslas fizeram um show mostrando sua cauda, nesta natureza tão perfeita, silenciosa e que brilhava nas cores do gelo, montanhas, oceano e esses gigantes brincando na água. Estas imagens foram sem dúvida a experiência mais maravilhosa de passar as Férias de Verão na Antártida.
Nossa próxima parada foi a Ilha de Cuverville, a maior colônia de pinguins Papua que habitam na Peninsula da Antartida, uma estimativa de 5000 pares.
A visita a Porto Lockroy ésempre uma obrigação, pois é o único lugar do continente, onde se pode mandar cartas para o resto do mundo com selo e carimbo da Antartida. Porto Lockroy era uma antiga base metereológica Inglesa, que operou desde 1944 até 1962 e, agora nos últimos anos, foi renovada em Museu, e sempre durante o verão Austral, encontramos uns simpáticos Ingleses que vendem souvenirs.
Cruzamos pelo famoso Canal de Lemaire, que também é conhecido como a esquina Kodak da Antártida. Este canal é de apenas 11 Km entre a Península e a Ilha Booth. Sempre é um desafio navegar por estas águas geladas e cobertas de icebergs. Mas, como sempre, foi uma experiência fantástica passar por tanto gelo.
Do outro lado está a Ilha Petermann, normalmente o ponto mais ao sul que as viagens de 11/12 dias chegam na Península. Petermann tambem é a ilha onde se observa os pingüins Adelies, muito pequenos, como se estivessem usando um tuxedo preto e branco. Estes são os pinguins que vivem em todo o continente Antártico junto com os Imperadores, o maior pingüim do mundo.
O dia na Ilha Petermann estava tão ensolarado, que os cozinheiros resolveram servir o almoço fora, no deck. Que espetacular estar rodeado de altas montanhas cobertas de neve, icebergs por todo o lado, o sol brilhando, e nós, os previlegiados pasageiros, almoçando no deck do barco, em meio a esta enorme e poderosa natureza.
Entramos na Ilha Decepção, onde está o último vulcão que entrou em erupção na Antártida. Foi em 1970, e hoje é uma caldeira grande onde os turistas corajosos podem banhar-se.
A Ilha Decepção é um paraíso para os geólogos. É a única ilha que está coberta por lava. Também foi uma das primeiras estações, onde os Noruegueses junto com os Chilenos começaram a caçar as baleias durante o verão Austral de 1888, matando uma média de 40.000 durante uma boa temporada. Hoje existem restos de tanques onde se queimavam as baleias para fazer óleo. É um lugar histórico, que nos mostra o quanto o ser humano já destruiu deste planeta.
Na Ilha de Levingston, no Hannah Point, é o point dos elefantes marinhos, onde ficam se coçando durante o verão, enquanto seu pêlo muda. O macho pode chegar a medir 6 metros e pesar até 4500 Kg. Mesmo com todo esse tamanho, são animais mansos e muito divertidos de serem observados. São excelentes nadadores e, no inverno, passam a maioria do tempo de baixo d’água.
A Ilha Aitcho, uma de um grupo de ilhas pequenas, foi nossa última parada. Era tão pequeninha que deu para atravessar de um lado ao outro. Subimos a montanha para olhar a colônia de pinguins e sentir seu “perfume” pela última vez, e assim nos despedimos do Continente Branco.
Nos sentimos mais uma vez previlegiados de ter visitado a terra tão distante, onde começamos o novo ano em perfeita harmonia.
A Antartida esta cada vez mais sendo procurada e a demanda é muito grande. Reservas devem ser feitas com muita antecipação. Quando o turismo Antarctico começou em 1990, somente 3000 pessoas embarcaram durante a temporada de Novembro a final de Fevereiro. Esses números vêm crescendo a cada ano e, na temporada passada, mais de 30.000 pessoas embarcaram no Porto de Ushuaia para a Península da Antártida.

 

- GELO, MILHARES DE PINGUINS E MUITO, MUITO FRIO A ANTÁRTIDA É ÚNICA E INESQUECÍVEL

 

Prepare-se para viver uma aventura diferente, muito diferente de tudo o que você conhece. Você vai embarcar em navios quebra-gelo de altíssima potência e singrar por mares quase desabitados, atravessando um clima inóspito e hostil em busca de paisagens exberantes, que pouqupissimas pessoas tiveram a oportunidade de presenciar: as majestosas e quase intocadas belezas naturais da Antártida.

 

Clique aqui para fazer o download do pdf e ver essa reportagem completa.

 

 

- MINHA VIAGEM À ANTÁRTIDA! - POR MARISA FERRAZ

 

A viagem de avião até Ushuaia, considerada a terra do “Fin Del Mundo” já é por si só memorável. Voar sobre lindas montanhas nevadas nos dá uma prévia do que ainda virá. Temos um dia na cidade e fazemos uma excursão ao “Parque Nacional Tierra Del Fuego” até a Baía Lapataia, com suas águas verde-esmeralda. Árvores com copas envergadas a 90° são o testemunho dos ventos que dominam essa região. Após um bom churrasco argentino, estamos prontos para começar nossa aventura.

 

Adentrar o cais onde estão ancorados os imponentes navios quebra-gelos é fascinante e a adrenalina começa a circular no corpo. Somos cerca de 100 pessoas de diversas nacionalidades no navio russo Lyubov Orlova: australiana, japonesa, indiana, russa, italiana, belga, polonesa, inglesa, escocesa, portuguesa, sul-africana, americana e... eu como única representante da brasileira.
A recepção no navio conta com uma palestra, o “Mandatory Lifeboat” (treinamento de emergência) e um coquetel. A sala de refeições tem algumas peculiaridades interessantes para quem vai cruzar o Drake Passage, local conhecido por apresentar grandes tempestades: mesas fixas no chão, cadeiras presas com cordas e toalhas molhadas para evitar que copos escorreguem! Felizmente nenhum incidente no caminho de ida.

 

É uma delícia acordar de manhã cedo com um acolhedor “Good Morning” da Susan, nossa líder, no alto-falante dentro das cabines. E as refeições... ah, as refeições... todas cinco estrelas, com comidas de ajoelhar. Como temos o dia todo de viagem, assistimos a diversas palestras interessantes com o staff de especialistas do navio. Akos, especialista em aves, nos deixa boquiabertos ao mostrar que o albatroz-errante, que habita a região, possui uma envergadura de 3,5 metros. Louis nos relata a época de ouro dos primeiros e heróicos exploradores deste continente. Art, geólogo experiente, nos ensina sobre os vários tipos de rochas e de formações de gelo que se pode encontrar na Antártida. Nosso fotógrafo oficial Otto nos mostra imagens maravilhosas tiradas em viagens anteriores. Jamie, biólogo marinho (e comediante nas horas de folga), nos conta sobre a fascinante vida das focas, baleias, pinguins e outros seres da região.

 

Navegar em alto-mar é uma experiência única! Além da sensação de pequenez e solidão, quando não se é possível ver nenhuma terra pelos 360° do horizonte, a cor do mar é inacreditável: um azul-cobalto que não se consegue ver em nenhum outro lugar. Passamos a Convergência Antártica, uma região que cerca o continente antártico onde há o encontro da Corrente Antártica Circumpolar com as correntes quentes do sul dos Oceanos Atlântico, Índico e Pacífico. É um limite natural entre duas regiões de vida marinha distinta e de climas diferentes. É marcante a queda de temperatura ao cruzarmos essa região. Agora o frio chegou com força e o deck do navio fica coberto por uma camada de gelo escorregadio.

 

Sempre que acordo, a primeira coisa que faço é ir ao deck, ver o horizonte sem fim e sentir o frio polar. Ainda estamos longe do continente, mas já avistamos os primeiros pinguins: um grupo passa nadando ao lado de nosso navio dando lindos saltos na água. Duas baleias Humpback, mãe e filha, também nos dão as boas-vindas, dando saltos belíssimos ao longe! Não consigo parar de sorrir.
As saídas de barco para as excursões nas ilhas e no continente antártico exigem um preparo à parte: cinco blusas (malha de neve colada no corpo, camisa, dois casacos de lã e o grande casaco de neve), três calças (malha de neve, calça e calça à prova d’água), para os pés duas meias de lã e botas de neve, além dos acessórios (duas luvas, gorro, tapa-ouvidos, óculos escuros, protetor solar). Um processo demorado. E mesmo assim ainda se sente frio.

 

Para se ir do navio até a terra firme usam-se os Zodiac, botes infláveis motorizados muito eficientes. O problema é tentar entrar nesses botes com o forte vai-e-vem do mar batendo na escada lateral do navio. Muito engraçado.

 

Primeira saída: Ilha Aitcho. Andar em uma área repleta de pinguins Chinstrap e Gentoo, ouvir seus sons enchendo o ar, ver seus ninhos e filhotes sendo cuidados é uma emoção tão grande que não é difícil cair no choro. É um mar de pinguins à sua volta! E eles não ligam a mínima para a sua presença. Além deles ainda podemos ver elefantes marinhos, focas, geleiras imponentes e ossos de baleias. Um dia inteiro com um largo sorriso estampado no rosto!

 

Todo o retorno ao navio é imediatamente e obrigatoriamente seguido de uma lavagem nas botas: procedimento que evita o transporte indesejado de material estranho de uma ilha para outra. Além disso, é imperativo assinar uma listagem a cada saída e chegada no navio, precaução para não se correr o risco de esquecer alguém nas ilhas!...

 

Desembarcamos na Ilha Half Moon sob um vento cortante, frio intenso e forte nevasca batendo em nosso rosto. Mas as colônias de pinguins Chinstrap parecem não se incomodar com isso. A paisagem de escarpas e rochedos cobertos de neve é fascinante e assustadora ao mesmo tempo. Na praia a carcaça de um grande barco antigo de madeira repousa sobre as pedras cobertas de neve e fileiras de algas vermelhas.

 

A ilha vulcânica Deception ainda possui tristes restos de instalações baleeiras do passado e vários ossos de baleias espalhados pela longa praia. O tempo bom nos favorece com uma linda visão do Neptune’s Bellows: uma praia escura com águas verde-esmeralda vista do alto. Aqui, devido à atividade vulcânica da ilha, se tem a oportunidade de mergulhar no gélido mar polar (com temperatura de 02 °C) sem morrer de imediato. É claro que não vou perder essa! Eu e poucos outros corajosos nos aventuramos a mergulhar. Essa experiência única fica registrada em um certificado que atesta que “além de ser um ato de extrema coragem é também de incomparável loucura”, o que nos dá o direito a fazer parte do famoso Clube de Mergulho Polar Antártico! No retorno ao navio somos calorosamente recepcionados com uma dose de rum.

 

Nosso primeiro desembarque no continente é no Paradise Bay. Suamos em bica ao subir uma montanha para se apreciar a baía de cima, a parede de glaciares no contorno e nosso navio ao fundo sob um silêncio só quebrado pelo vento. Que paz!
Neste dia, ao fazermos um cruzeiro nos Zodiac, temos a sorte tremenda de um lindo encontro com baleias Minke que nos rodeiam em nossos botes. Elas gentilmente saem da água com suas cabeças enormes apontadas para cima, nos olham brevemente com seus olhos meigos para depois submergir calmamente. De tão perto, quase conseguimos tocá-las com nossas mãos. E de tão abestalhada que fico, não tiro uma única foto... Uma experiência para a vida!

 

O Port Lockroy, base inglesa, tem uma colônia imensa de pinguins Gentoo que rodeiam a base tão de perto que quase entram dentro de casa! O lugar é uma mistura de museu com antigos utensílios usados por pesquisadores e viajantes e onde também funciona um correio, de onde se pode enviar postais para o mundo inteiro com selos autenticamente carimbados na Antártida. Deixo meu nome no livro de visitas: Marisa Ferraz – Brazil!
Jougla Point, cheio de pinguins Gentoo e Chinstrap, tem espetaculares esqueletos de baleias quase inteiros deitados nas pedras e nos pedaços de gelo que bóiam na orla.

 

E quem diria que é possível fazer um churrasco em plena Antártida? Somos convidados para ir ao deck do navio para comer, beber e confraternizar nas mesas ao ar livre. Impossível relaxar com tanto frio, mas a cerveja foi certamente uma das mais geladas que já tomei...
Passamos pelo Canal Lemaire às 6h de uma manhã ensolarada. O canal, estreito, tem paisagens deslumbrantes de grandes montanhas e altas escarpas nevadas que se elevam ao nosso lado e passam bem junto ao navio enquanto ele avança em marcha lenta. De tirar o fôlego.

 

O local mais ao sul que colocamos os pés (65° 15’ S) fica no posto ucraniano Vernadsky, onde temos a oportunidade de visitar as salas dos pesquisadores que moram no local e suas estações de trabalho. O posto tem um ótimo bar (Faraday) coberto de flâmulas, fotos, bandeiras, sutiãs (!!!), canecos e diversos souvenires trazidos pelos visitantes do mundo inteiro. Se soubesse disto, teria levado uma garrafa de cachaça para deixar lá.

 

Os pinguins Adelie, com suas típicas cabeças-chata e os Macaroni, de topete amarelo, não são muito comuns e é preciso ir a lugares específicos para vê-los. A ilha Petermann tem boas colônias dos Adelie. Em meio a eles, grandes pedras quebradas como se fossem fatias de pão francês são testemunhas da incrível oscilação de temperatura nesse local. Nesta ilha, pesquisadores que, inacreditavelmente dormem em uma barraca, pesquisam as colônias de pinguins, cada uma identificada com um número pintado em laranja na rocha que serve de base para os ninhos.

 

Temos a sorte de testemunhar a quebra de uma das colossais encostas de gelo em Neko Harbour, ao subimos uma montanha para apreciar a vista da baía e das altas paredes de neve dos glaciares. Uma gigantesca quantidade de gelo cai no mar e forma um pequeno tsunami que avança até a praia fazendo um barulho forte e peculiar. Fascinante! Para descer na montanha? É só escorregar no grande tobogã natural de gelo. Uma diversão.

 

Na ilha Danko é interessante ver as “avenidas” que se formam na neve pisada constantemente pelo vai-e-vem dos pinguins em sua labuta diária de construção dos ninhos, feitos de pequenas pedras. O trabalho árduo consiste no transporte de pequenas pedras, uma a uma, com o bico, desde a praia lá em baixo até o alto das montanhas, onde fazem seus ninhos. Que trabalhão. Ao passar inadvertidamente próxima a um ninho muito bem camuflado de gaivotas com dois filhotinhos, sou literalmente atacada pelos pais que dão rasantes em minha cabeça tentando me bicar e me botando para correr dalí!

 

Um passeio nos Zodiac à noite na baía Wilhemina se transforma em um dos momentos mais lindos da viagem. Com o tempo limpo e claro, o céu azul e o sol brilhando até as 23h, vemos os mais lindos, branco-azulados e resplandecentes icebergs flutuando em câmara lenta ao nosso redor. A variedade de tonalidades de azul e de formatos e tamanhos é infinita. Sobre eles, ás vezes vemos grupos de pinguins ou focas tomando sol. Ao pôr-do-sol as tonalidades dos icebergs passam do azul para o rosa e o céu fica vermelho-alaranjado. Fico imaginando a dificuldade dos viajantes de alguns anos atrás, antes das câmeras digitais, quando tinham que repor os filmes de 36 poses. Em minutos tiramos centenas de fotos.

 

Um leopardo-marinho dormita sobre um dos icebergs e, à nossa aproximação, pula na água. Nosso guia prontamente liga o motor e se afasta, nos explicando que, ao contrário das focas de Weddell ou as Crabeaters, muito amigáveis, esses leopardos-marinhos são predadores perigosos pois podem morder os Zodiac por baixo d’água com seus dentes afiados derrubando todos na água e fazendo um belo jantar com carnes internacionais...

 

Em nosso último dia neste continente é difícil não ficar um pouco triste. Fico um bom tempo no deck gelado à noite ouvindo MP3, vendo as últimas luzes do dia (por volta da meia-noite) e lembrando tudo o que vivi e vi nessa terra fascinante. Por mais que eu tente descrever aqui esta aventura, a cada vez que leio vejo o quão pobre é minha descrição, em comparação com as emoções que senti nesta viagem.
Mas nossa aventura não termina aí. Ao contrário de nossa ida, bem tranqüila, em nosso caminho de volta temos uma boa amostra do que significa cruzar o famoso Drake Passage! Com 650 km de Oceano Antártico entre o fim da América do Sul e a Antártida, é uma das zonas com as piores condições meteorológicas marítimas do mundo. E uma enorme tempestade toma nossa embarcação sem dó. Ondas fabulosas cobrem por completo a proa de nosso grande navio que, nessas condições, parece uma pequena casca de noz sendo engolido na tormenta. De minha cabine posso contar três segundos a cada vez que a escotilha fica submersa e três segundos a cada vez que emerge. Isso durante horas. E toda aquela compacta massa de ferragens que compõe nossa embarcação treme e range a cada vez que o casco bate na água ao despencar de uma onda gigantesca. Eu, particularmente, acho tudo fascinante, mas nosso médico de bordo, Gary, teve um pouco de trabalho neste dia distribuindo remédio contra enjôo. Agora entendi o porquê das mesas do restaurante fixas no chão e as cadeiras amarradas. Sobrevivemos!